4/06/2014

A biscate


Eu não me arrependo de está bêbado neste exato momento, arrependo-me é de não ter bebido mais.   Talvez se tivesse tomado outras doses de Uísque estaria apagado agora, naquele albergue, e não teria aceitado que ela me levasse até em casa.
"É, quem sabe apagado, eu te esqueceria por um segundo."
Chovia muito naquela noite, eu não me importava precisava beber. Fui até aquele albergue para tentar te esquecer de vez. As últimas vezes que a vi eu prometi que iria esquecê-la e é o que farei.

- Uísque, por favor - Eu disse para o garçom.
- Aqui estar Senhor - ele respondeu.

 Tomei tão rapidamente as doses, que nem ao menos percebi quando a garrafa esvaziou.

- Outro, por favor, garçom.

 As horas foram se passando, algumas pessoas indo embora, outras subindo para seus aposentos. E eu... Tudo o que queria era esquecer Helena, mas parecia impossível. O garçom logo me apareceu e disse que iriam limpar as mesas e recolher as cadeiras, eu não me importei com o que ele disse, e continuei lá sentado tomando a última dose que restava eu estava com o pensamento longe e o coração deprimido, termina com Helena foi a pior decisão de minha vida. Ela era uma "rapariguinha" muito bela e tinha umas curvas que eu nunca tinha visto em outra mulher, cabelos longos e ruivos, pele branca e macia...
No entanto, era biscate. Mulher fácil que se deixava levar por dinheiro e caia na cama de qualquer cafajeste.
O garçom que já não aguentava mais me ver bebendo, me colocou para fora, como se eu fosse um cão sem dono. Fique caído lá por cerda de dez minutos sem nenhuma vontade de me levantar dali. (Agradeceria se um raio me atingisse) mas a chuva já havia passado, que pouca sorte a minha.
 Ao juntar forças para levantar e vendo as coisas já bizarras, decidi deixar meu carro lá e ir caminhando até o metrô, engraçado aquela rua parecia tão estreia para mim.
Infelizmente não vi que a calçada tinha terminado e, mas uma vez fui ao chão (agradeceria se um automóvel me atropelasse) infelizmente a rua estava deserta, que pouca sorte a minha, mas uma vez. Levantei-me e continuei caminhando e me perguntando: Oh Deus por que sempre isso comigo? (Coisas boas não, mas ruim é o que mais tenho) já estava até me acostumando à aceita tudo àquilo, que vida miserável eu tinha.
 Já não pensava tanto em Helena como algumas horas atrás. Estava feliz, até o momento. Continuei  caminhando e veja só, quanta ironia, logo avistei Helena sentada em um banco aguardando o trem e toda aquela felicidade que estava sentindo tinha acabado, era o fim. Preferia mil vezes outro tropeção daquele do quer revê-la novamente. (Suspiro) que pouca sorte a minha. Ela logo me viu, e veio ao meu encontro.

- O que está fazendo aqui, Augusto? - Disse ela com um sorriso no rosto.
- Não encontrei o meu carro e decidi ir para casa de trem. - Respondi.

Ela já me conhecia muito bem, sabia que mentia.

 - Hora já é, mais de meia-noite, a quem você quer enganar Augusto, estava bebendo eu diria.

Dei as costas para ela e sai caminhando, voltando no sentindo do albergue.
Ela logo me seguiu. "Espere Augusto, irei com você". - gritava enquanto corria até a mim, com uma mala na mão.

- Para onde? - Perguntei.
- Irei viajar para longe querido, a vida por aqui não estar nada fácil, e devo dizê-lo que ainda não o esqueci. O melhor que tenho a fazer é sumir.

Contive-me para não implorar para que ela ficasse, senti uma tristeza dentro de mim.
Ela estava mais linda, (estava bêbado, mas uma beleza como a de Helena, não precisaria estar bem para notar). Não disse nada para ela, apenas continuei caminhando, e fomos assim até chegarmos ao albergue. Meu carro estava um pouco distante, caminhamos até lá, e ela me pediu para ir me levar em casa, (eu ainda não tinha condições para dirigir) quanta ironia, a pessoa que eu jamais queria ver novamente indo me deixar em casa.
 Eu logo recusei, mas ela insistiu.
 Ela abriu o porta-malas e jogou suas coisas lá, depois entramos no carro e ela, mas uma vez disse que me amava. Eu a ignorei.
Ao chegarmos, rapidamente desci do carro e pedi para que ela tirasse suas coisas, foi o que ela fez.
Ficamos lá por algumas horas esperando um táxi. Ela não me disse para onde iria viajar, eu também não quis saber, queria esquece-la.

- Me perdoe - ela disse.
- Eu te tirei daquela vida infeliz que você tinha Helena, trouxe sua honra de volta, ou achei que  trouxe, e o que me fez? Traiu-me, me enganou, voltou a trabalhar vendendo seu corpo e de nada adiantou o que e fiz por você, você não merece perdão. - Respondi
- Me perdoe Augusto, não conseguia viver assim, eu te amo, mas não posso ficar com você. Perdoe-me, mas é disso que eu gosto, essa é a minha vida. Eu te amo, você foi o último com quem me deitei que consegui ter um sentimento verdadeiro.
 Logo avistei o táxi vindo. 

- Veja sua carona chegou. - Eu disse.
 - Me perdoe Augusto!

Eu não poderia perdoar aquela mulher. No entanto, disse que a perdoaria para que ela fosse em paz. Mas não conseguia esquecer o que ela me fez.
 O táxi parou e logo o moço começou a guardar as coisas dela no porta-malas do carro.

- Adeus Augusto - disse ela chorando.
- Adeus Helena - respondi.

Não me contive, a chamei pra mais perto e disse: Eu ainda te amo, seja feliz.
Ela sorriu, entrou no carro e se foi.
Não teve nenhum beijo nem abraço, eu queria esquece-la o mais rápido possível, então evitei tudo isso. E se demora para esquecê-la, algumas garrafas de Uísque me ajudarão.

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